PESO

25 Junho 2009

Mas que raio de escrita tem vindo a ser a minha?
Pergunto-me porque escrevo?
O que pretendo passar através das palavras?
Estou cansado de tanto banalismo,
Que parece que o transcrevo para a minha escrita.

Quero “morrer”,
Desaparecer deste caminho inóspito que me deixa perturbado,
E entrar noutro,
Completamente revitalizado e limpo.
Deixar para trás as impurezas que me sugam a razão,
Que me devoram a memória e me transformam
Numa amálgama de elementos prontos para a decomposição.
Estou cansado, aborrecido, deteriorado,
Não consigo sair desta melancolia ciclica
Que me deturpa mente e corpo.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH

Quero rasgar as roupas,
Desfazer a minha carne,
Libertar-me de todo o peso
Que me impede de voar.

De TODO O PESO que me impede…
TODO O PESO…
Mas porque é que me atulhei de tanto?
Nunca tive tamanha necessidade.
Porque me deixei influenciar até este ponto?

Agora quero também “matar”,
Levar comigo tudo e todos.
Todos os que me influenciaram,
Me banalizaram e me transformaram
Nesta cápsula oca atulhada de tanto PESO desnecessário.
Mas….
Como conseguirei eu levar comigo toda uma sociedade?

Por: Venctus

3 Respostas para “PESO”

  1. ” Influenciar uma pessoa é transmitir-lhe a nossa própria alma. Ela já não pensa com seus pensamentos naturais, nem arde com suas paixões naturais. As suas virtudes não são reais para ela. Os seus pecados, se é que existem pecados, são emprestados. Ela se converte em eco de uma música alheia, em ator de um papel que não foi escrita para ela. ” Oscar Wild

  2. Infelizmente por maior que seja a resistência somos sempre influenciados pelo que nos rodeia… Por maior que seja o escudo que carreguemos…
    Infelizmente o único meio que me ocorre é viver como um hermita…
    Mas forte como és concerteza encontrarás uma forma mais simples e eficaz de voar alto, sem as sombras que rejeitas…
    Apenas nunca desistas…

  3. Catharina disse

    Encher- se é também esvaziar-se de si mesmo. Aprender é trocar a leveza fina da alma casta pelo pesar do conhecer. É aceitar o cálice do saber e assim tornar-se um tanto astuto e julgar-se forte e julgar-se até capaz de converter todas as forças a seu favor. No entanto ,há dias que nos sufocamos com o que vemos. Porque conhecer é sofrer pelo que não se sofre e sentir o que não se sente. E neste momento Venctus, é que nos sentimos sós, inundados em nossas próprias palavras ou nossas próprias idéias e nos perguntamos, quem foi? Este ou aquele quem retirou de nossas vistas o véu? Mas fomos nós que mesmos que desejamos mergulhar nas profundezas da alma em busca de um mundo melhor.
    E este mundo realmente existe, mas é você que deve alimentá-lo. Por tanto Venctus não desista. Você não está só.

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