Devanear

28 Novembro 2009

Muito se diz,
Muito se espera,
Nada responde,
Nada aparece.
Palavras desferidas,
Entram e saem,
Restando no fim
Um resquício de algo.
Um vulto translucido
Aparece e desvanece,
Deixando para trás
Uma ténue vibração.
É musica para os sentidos,
Loucura para a mente,
O tempo estanca
E o universo rodopia.
Roda, roda,
Incessantemente,
A vida é morte,
A morte é vida.
Quebra e estilhaça,
Recolhe e renasce,
Tudo é nada,
Nada é tudo.

Por: Venctus Aeternus
Imagem de: idontwannabeleftout

Névoa

22 Novembro 2009

Uma névoa sem fim
Abraçava o dia outonal,
O ar rareava e
A água circulava.
O silêncio penetrava
Através do portal,
Invadia a atmosfera
E asfixiava.
Uma essência almiscarada
Confundia os sentidos,
Dormência, Sonolência…
Quem vinha lá?
O que pretendia?
Algo caminhava
Por entre a névoa,
Ninguém o via,
Mas toda a gente o sentia,
Sabíamos que ele lá estava.
Observava e avaliava.
Um dia o nevoeiro esfumou,
O portal desapareceu,
E a presença terminou.
Quem era?
O que pretendia?
O que aconteceu?
Ninguém soube realmente explicar,
Terminando tudo em mistério.

O tempo passou,
E enterrou aquele momento
No abismo infernal da mente.

Até hoje…
A névoa voltou…

Por: Venctus Aeternus
Imagem de: ictenbey

Silêncio

19 Novembro 2009


….embarca-se por fim num Silêncio próximo!

Imagem de:
bagnino

Enigma

17 Novembro 2009

Um enigma pressiona a mente
A articular o poder da análise meticulosa.
A solução não parece viável,
Chega a ser contraditória,
Rechaçando a mesquinhez.
A palavra não soletrada e
Executada resolve,
Direccionando e Iluminando,
Tal qual estrela-guia.
As vias alargam,
Permitindo maior fluência,
A cápsula enche e transborda
Em direcção aos confins.
A maré arrasta e altera a paisagem,
Aquilo que era,
Ainda continua  a ser,
Mas nem tudo é o que realmente parece ser.

Escrito por: Venctus Aeternus

Passagem

13 Novembro 2009

Uma onda avassaladora,
Uma rajada de vento ruidosa,
Uma tormenta abate-se, e,
A escapatória está ali,
A um ínfimo passo de distância.
Estremece…dentro…vibra…
Ressoa no âmago e surge magnânimo.
Um, dois , três…sete, oito, nove…
Onze…Onze,
A porta estremece e abre-se,
Perante os olhares atónitos dos presentes.
A saída está ai.
Tão perto… tão distante…
Música?!
Melodia…sons discrepantes harmoniosos
Animam o corpo, o espírito,
A moverem-se em direcção.
Um, dois, três…entram,
Sete, oito, nove…entram,
Trinta, Trinta e um, Trinta e dois….entram.
Um sai,
A porta fecha,
Adeus!

Escrito por: Venctus Aeternus
Imagem de: Kil1K

A Memória solta-se…

12 Novembro 2009

A memória solta-se,
Ressoa no emaranhado
Da teia dos pensamentos.
O ciclo termina,
E prepara-se para nova viragem.
Passado volta ao presente,
Presente que foi e volta a ser.
As cartas voltam ao baralho para novo jogo,
Mas desta vez os jogadores serão em menor número.
Quem quer jogar comigo?

Por: Venctus
Imagem de: Aegis-Strife

“Morri…é a minha alma a escrever”

Fiquei sentado…aguardando….
Um sinal…Uma resposta…
Vinda de não sei onde.
O meu corpo esgotou as energias vitais,
Desfaleceu…não poderá ser reanimado.
Um murmúrio…Um som indicifrável,
Algo audível… Aguardei…Aguardo ainda.
Não posso ir, não é o momento estabelecido.
Abstraio-me entorpecido por pensamentos divagantes sem qualquer sentido racional.
Penso eu… raciocino eu.
Já devia ter-me libertado desta realidade opressora…
As horas monótonas passam a correr,
Dias, semana, anos…seguem em catadupa desenfreada.
Nada muda,
Tudo permanece num estado vegetativo,
Tudo aguarda…eu aguardo…

“Morri…e a minha alma aguarda.”

Por: Venctus