“Morri…é a minha alma a escrever”

Fiquei sentado…aguardando….
Um sinal…Uma resposta…
Vinda de não sei onde.
O meu corpo esgotou as energias vitais,
Desfaleceu…não poderá ser reanimado.
Um murmúrio…Um som indicifrável,
Algo audível… Aguardei…Aguardo ainda.
Não posso ir, não é o momento estabelecido.
Abstraio-me entorpecido por pensamentos divagantes sem qualquer sentido racional.
Penso eu… raciocino eu.
Já devia ter-me libertado desta realidade opressora…
As horas monótonas passam a correr,
Dias, semana, anos…seguem em catadupa desenfreada.
Nada muda,
Tudo permanece num estado vegetativo,
Tudo aguarda…eu aguardo…

“Morri…e a minha alma aguarda.”

Por: Venctus

A escuridão entorpece…

27 Outubro 2009

A escuridão entorpece
O coração humano,
Uma bruma que permanece
Durante todo o dia insano.

Nada percorremos na sua ausência,
E enquanto ela existir,
Será sempre a essência da aprendizagem
Através do atalho da dor.

A Graça Divina (Abel)
Foi aniquilada pelo seu irmão material (Caim),
E enquanto não evoluirmos e restabelecê-la,
Continuaremos encurralados
Neste circulo interminável
De escuridão, luz, caminho,
Morte, Vida, Renascimento,
Iluminação…

Por: Venctus

“Aguardo”

19 Outubro 2009

Vejo que ainda continuas aí…

O que te aprisiona nesse estado fisico?
Liberta-te, evolui…

Sê aquilo a que sempre destinas-te  a ser.

O Sol brilha para ti,
Mas também para todos os restantes seres.
O que podes tu fazer,
Se a maior parte deles nem sabem aproveitar o dom que se encontra
Mesmo debaixo do nariz de cada um?
Liberta-te, evolui…

Deixa-os ficar aprisionados na sua fraca luminescência…

Ficariam cegos ao passarem para o lado de cá,
Tamanha é, não a quantidade,
Mas sim a qualidade, a potência da nossa Luz,
Tamanha é a profundidade da nossa Escuridão.
Sim também cá há Escuridão,
Como poderíamos dar valor a uma,
Se não houvesse outra?
Liberta-te, evolui…

Vejo que não é hoje…

Aguardo,
Simplesmente aguardo,
Que Tu,
Somente Tu,
Te aproximes dos portões,
Aguardo até ao final do ultimo dia.

Por: Venctus

“Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando dispertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são

Obscura luz paira onde estou converso
A esta realidade da ilusão
Se fecho os olhos, sou de novo imerso
Naquelas sombras que há na escuridão.

Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,
É a mesma mistura de entre-seres
Ou na noite, ou ao dia transferida.

Nada é real, nada em seus vãos moveres
Pertence a uma forma definida,
Rastro visto de coisa só ouvida.”

Fernando Pessoa, 28-9-1933

Somatório das Unidades

26 Setembro 2009

Uma palavra não faz um livro,
Uma pétala não faz uma flor,
Um grão de areia não faz uma praia,
Uma agulha não enche o palheiro,
Uma ovelha não faz um rebanho,
Uma montanha não faz uma serra,
Uma gota de água não faz um rio
Nem muito menos um oceano,
Um individuo não faz uma sociedade,
E jamais é figura de toda uma cultura,
Um deus não faz uma mitologia,
Apesar de poder vir a ser pai de toda ela.

Uma+Uma+Um+Uma+Uma+Uma+Uma+Um+Um

Apenas com o somatório das unidades
Se poderá criar algo multidiversificado, mas,
Sendo na sua essência,
ÚNICO.

Por: Venctus
Imagem de: MeisterDesZirkuss

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Mergulho num mar de emoções.
Lado direito e esquerdo degladiam-se,
Tentando cada um para seu lado,
Ganhar vantagem na resposta
A ser apresentada.
Procuro um entendimento em mim,
Uma solução intermédia.
Mas o confronto entre os dois
Provoca ondas encrespadas,
Desnorteando todos os meus sentidos internos.
O meu ser estanca,
Espera por uma decisão,
Uma resposta apenas,
Uma solução para avançar,
Mas…
É tudo tão incerto.
Tão fácil indicar o caminho a outros,
Mas decidir o próprio caminho,
É uma guerra diária,
E os obstáculos que por vezes parecem pequenos
Depressa se transformam em enormes montanhas,
Que depois de ultrapassadas,
Chega-se à conclusão que se calhar
Não passavam de pequenos altos
Nas planícies infinitas da Vida.

Por: Venctus

Uma pétala debruça-se em queda
Da estante empoeirada.
Cai no vazio,
Oscilando de um lado para o outro,
Tentando evitar a todo o custo o chão negro.
Tudo ocorre muito lentamente,
Como que, o próprio tempo
Estivesse com uma preguiça tremenda em avançar,
Desvairando assim a pétala numa
Ânsia desmesurada.
A luminosidade solar
Evita a sujidade e os vidros quebrados
Da velha janela redonda,
Permitindo que tudo se desenrole
Numa visão  solene e inspiradora
Do que foi e do que virá.
As memórias esfumam-se do sótão
Da casa onde há muito tempo
A vida humana encheu-a de luz  e alegria,
Mas hoje…
Hoje tudo cai,
A escuridão avança,
E a pétala cai.

Por: Venctus